Luz própria:
Neta de italianos, esta designer especializada em luminárias decorativas gosta de experimentar novos materiais e linguagens, em busca de um ideal estético.
Texto: Angela Vilarrubia
O que mais encanta Cris Bertolucci em seu trabalho é testemunhar a concretização de suas ideias, especialmente na hora de acender a luz. Afinal, esse é o momento mágico. Formada em design industrial pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, e com pós-gradução na Università Internazionale dell'Arte (UIA), em Florença (Itália), ela acabou direcionando seu poder criativo para o desenho de luminárias decorativas pelo simples fato de seguir a trilha aberta pelo pai, Walter Bertolucci. Ele foi o fundador da Bertolucci, em 1956, empresa voltada para esse segmento e na qual Cris atuou durante 25 anos como diretora de arte. "Foi bom para mim porque pude desenvolver meu trabalho, e para a Bertolucci também, pois a introduzi no meio do design, em outro patamar", observa. Essa foi uma grande experiência na vida da caçula de cinco irmãos, que costumava, quando criança, andar de bicicleta na fábrica vizinha à sua casa, na Lapa, tradicional bairro de São Paulo.
Em 2010, ela tomou a resolução de abrir seu estúdio próprio e dar asas à imaginação.
Cobre, bronze, latão, aço, vidro, madeira, cerâmica, palha artesanal e tecidos estão entre os materiais com os quais costuma trabalhar. *Às vezes penso que deveria fazer peças mais sim-ples. Somente atuar com metal, por exemplo. Mas dessa forma perderia em criatividade e na possibilidade de novos produtos.
Na prática, acrescento cada vez mais materiais", orgulha-se a profissional, que acaba de incorporar folhas botânicas (literal-mente), resina e papel japonês às suas realizações. "A logistica é grande, mas não abrimos mão de achar novas coisas e trazer novas linguagens", acrescenta.
Cris discorre sobre como a luz "acontece" em cada criação, pois é realizado todo um labor de experimentação, com erros e acertos, até encontrar a iluminação adequada para cada material e desenho. "Uma coisa é fazer uma mesa, que é estática, e outra uma luminária de resina, a qual precisamos estudar para saber como a luz se comportará", ilustra. *Pela experiên-cia, imaginamos que será de certa forma, mas é sempre uma surpresa", sorri, diante das particularidades da refração. Em outras palavras, além do design em si, é preciso pensar como será o resultado lumínico.
Cris se diz "das antigas", pois não utiliza o computador para desenhar. Ela delineia seus engenhos à mão, no papel. Em uma ocasião, para não esquecer uma ideia, fez seu traçado em um simples post-it. *Pode parecer meio clichê falar que a natureza é a minha inspiração, mas não tenho como dizer o contrário. É a grande fonte, a beleza já está lá. Tenho um olhar e uma escolha, e posso traduzir tudo em uma peça", assinala, ao lembrar que seu portfólio comporta peças batizadas como Sacurá, Araucária, Sabiá, Amazônica, Bicho-Pau, Lichia....
Há dois anos a sua filha Giovanna Bertolucci incorporou-se ao estúdio, em um momento de expansão. Advogada de for-mação, sempre gostou de arte e design, na esteira familiar.
Ela arregaçou as mangas não apenas para as ações criativas. mas também para tocar áreas estratégicas, como marketing, mídias sociais, revenda e mercado internacional, entre outras.
Ela apoia a progenitora no apura das criações e a respeito das sensações que elas trazem. Afinal, Cris enfatiza que, além de uma iluminação técnica e funcional, as pessoas também querem pecas que as emocionem, como, por exemolo, um pendente sobre a mesa de jantar, com o qual irão conviver. "No meu estúdio, o que se procura é a beleza", conclui.






