Luedji Luna abre casa de 200 m² em São Paulo; assista ao tour
Minimalismo e ancestralidade permeiam a casa da cantora e compositora baiana em São Paulo, com interiores de Lucas Teixeira

Vivendo em apartamentos desde a infância nos bairros soteropolitanos de Cabula e Brotas, até a vinda a São Paulo para construir sua carreira, a cantora e compositora Luedji Luna sempre teve um sonho guardado, além daquele de ser artista: morar em uma casa. A primeira referência nesse sentido foi o lar dos avós, onde aproveitava o espaço para brincar quando criança. Nos últimos nove anos na capital paulista, transitou por quartos na Barra Funda, Lapa e Osasco, até adquirir um apartamento de volta na Lapa. Foi nesse mesmo bairro que, no ano passado, encontrou a residência capaz de materializar seu maior desejo. Ali ela reúne reminiscências da Bahia, como no mercado municipal do bairro, que a transporta direto para Salvador.
O endereço atual, mais do que a realização do antigo objetivo, se tornou necessidade após a chegada do filho, Dayo, broto de seu romance com o companheiro de vida e profissão, Zudizilla. Assim como Luedji quando pequena, o menino de 3 anos também precisa de amplidão para correr e experimentar a vida. A área externa da propriedade foi fator decisivo para esta família composta por um gaúcho amante de churrasco e uma baiana apaixonada por plantas e árvores frutíferas. No quintal, uma pitangueira e uma aceroleira atraem aves, enquanto uma palmeira e um pinheiro garantem sombra fresca. “Além de morada da minha família, que é a coisa mais cara que eu tenho, a casa tem que ser solução. Prática, dinâmica e receptiva. Um lar para receber amigos, manter os hábitos dos nossos territórios e criar o Dayo com alegria”, resume.
Meu lar me traz a sensação de aterramento, de que eu tenho um lugar para voltar, uma estabilidade.
Luedji Luna
A fachada discreta foi outro elemento determinante para a artista. Do lado de fora do muro alto com portão de madeira, não dá para saber o que tem dentro, se é um depósito ou uma residência, se é pequena ou grande. A magia acontece ao entrar: chama a atenção o comprimento da planta baixa, que se estende até que se ouça nada mais que o canto dos passarinhos. Além do jardim ao fundo, cuja vegetação abundante também garante privacidade, o imóvel de dois andares e 200 m² de área construída conta com quatro quartos, closet, sala de jantar, living, cozinha e um estúdio montado ao lado da garagem. “Tem tudo de que eu preciso aqui, até uma banheira com jardim japonês.”

Desde que se mudou, em maio do ano passado, Luedji sabia que o aspecto de seu espaço privado tinha de refletir sua persona pública. Por isso, convidou seu diretor de arte, Lucas Teixeira, formado em arquitetura, para ajudar na decoração, o que logo desembocou em um projeto de interiores ambicioso, cujo tempo para ser concebido chegou a um ano. As premissas? Minimalismo, ancestralidade e elegância. Entre as principais referências, o arquiteto ganense Joe Osae-Addo e a cantora americana Solange Knowles, cujo loft orgânico modernista foge do excesso de ornamentos ao mesmo tempo em que valoriza peças icônicas de criadores afrodescendentes.
Minha casa é prática, dinâmica e receptiva. Um lar para receber amigos, manter os hábitos dos nossos territórios e criar o Dayo com alegria.
Luedji Luna
Na reforma idealizada por Lucas, a predominância do neutro – não só das paredes e dos armários pintados de branco como também do piso, que ganhou revestimento de cimento queimado alvo – se torna pano de fundo para que obras de arte e objetos de design assinados por criativos pretos ganhem destaque.
Uma pintura de Moisés Patrício, a fotografia da conterrânea Helen Salomão, uma escultura da Nigéria ou a carranca típica baiana garantem o toque de ancestralidade necessário para o núcleo familiar afrocentrado, sem cair em estereótipos de um Nordeste só de cores vibrantes. Por exemplo, o papel de parede do quarto do casal, desenvolvido em parceria com a Branco, representa uma Bahia em tons pastel, enquanto nuances e materiais naturais preenchem os cômodos. Tudo contribui para que esse se torne o refúgio de uma vida em constante movimento entre shows e turnês internacionais. Para quem pouco fica em casa, esse canto se torna ainda mais valioso.





